Como funciona o roaming e por que o custo explode sem controle
Roaming é o serviço que permite que um chip de linha brasileira funcione em outro país. Quando o celular detecta que está fora do Brasil, ele se conecta à rede local via acordo de roaming entre operadoras. A operadora local presta o serviço e cobra a operadora brasileira, que repassa o custo na fatura do cliente com sua margem adicionada.
O custo explode por quatro razões que os colaboradores frequentemente desconhecem:
Ligacao recebida e cobrada mesmo sem atender
No roaming, o custo de receber uma ligação é cobrado de quem está no exterior, não de quem liga. A tarifa varia de R$ 2 a R$ 8 por minuto dependendo da operadora e do país. Um colaborador que recebe 10 ligações perdidas durante a viagem já acumula custo.
Dados em segundo plano consomem sem que o usuario perceba
Apps de e-mail, sincronização de arquivos, backup automático de fotos e atualizações de sistema continuam rodando em segundo plano com o chip ativo. Sem pacote de dados de roaming, cada MB consumido é cobrado avulso a tarifas que chegam a R$ 50 por MB em alguns países.
Wi-Fi do aviao e do hotel cobram por dados, nao eliminam o roaming do chip
O colaborador conecta ao Wi-Fi da aeronave ou do hotel e acha que o chip está desativado. Mas se o chip ainda está ativo, ele pode se conectar à rede celular local nos momentos em que o Wi-Fi cai ou é lento, gerando custos de roaming mesmo com Wi-Fi ativo.
Pacote de roaming nao ativado a tempo
O colaborador viaja sem acionar o TI ou sem ativar o pacote de roaming antes de embarcar. O pacote precisa ser ativado antes da chegada ao destino, não depois. Ativação retroativa é cobrada pelas operadoras como uso sem pacote.
As quatro opções para celular corporativo no exterior
Opção 1: pacote de roaming da operadora brasileira
Mais simples
A operadora brasileira oferece pacotes de roaming por diária (geralmente entre R$ 35 e R$ 80 por dia) que incluem um volume de dados e tarifas reduzidas de chamadas. O chip é o mesmo, o número continua o mesmo, sem configuração adicional.
VantagemSem troca de chip. Número brasileiro mantido. Processo simples: TI ativa antes da viagem.
DesvantagemCusto alto para viagens longas. Dados incluídos limitados. Cobrança diária mesmo em dias sem uso intenso.
Opção 2: eSIM internacional
Melhor custo-benefício
Perfil virtual de operadora internacional instalado no celular sem trocar o chip físico. O celular opera com dois perfis simultâneos: o chip brasileiro (para receber ligações e SMS no número brasileiro) e o eSIM internacional (para dados baratos no destino). Disponível em iPhones recentes e Androids com suporte a eSIM.
VantagemDados baratos (10 GB por USD 15 a 40 em muitos países). Número brasileiro mantido. Sem troca de chip físico.
DesvantagemRequer celular com suporte a eSIM. Ligações recebidas no número brasileiro ainda usam o chip nacional (cuidado com roaming de voz). Configuração mais técnica.
Opção 3: chip local do país de destino
Custo mais baixo
Comprar um chip pré-pago local no aeroporto do destino. Custo muito baixo para dados e chamadas locais. Perde o número brasileiro durante a viagem. Quem ligar para o número brasileiro não consegue contato direto.
Quando usarViagens longas (mais de 2 semanas) ou destinos com pacotes de roaming muito caros. O colaborador comunica o número temporário à equipe antes de embarcar.
DesvantagemPerde o número brasileiro. Gestão de chip adicional. Risco de perda do chip temporário. Reembolso de despesa em vez de fatura corporativa direta.
Opção 4: Wi-Fi + VoIP (Teams, Zoom, WhatsApp)
Custo zero de roaming
Desligar os dados do chip (modo avião ou desativar roaming de dados), usar exclusivamente Wi-Fi e comunicar via Microsoft Teams, Zoom, WhatsApp ou outro app de comunicação da empresa. Custo de roaming zero.
Quando usarColaboradores que ficam majoritariamente em hotel, escritório de cliente ou conference center com Wi-Fi confiável. Viagens de evento ou conference.
DesvantagemDepende de Wi-Fi disponível e confiável. Sem cobertura em deslocamentos de táxi, metrô e espaços públicos. Inacessível por ligação telefônica convencional.
Pacotes de roaming das operadoras brasileiras: o que avaliar
Cada operadora brasileira tem estrutura de pacote de roaming diferente. Os pontos críticos para avaliar na negociação com a operadora:
| Critério |
O que verificar |
| Cobertura de países |
Verificar se o pacote cobre todos os países de destino da empresa. Pacotes “América do Sul” e “Europa” têm coberturas diferentes. Destinos asiáticos e africanos costumam ter tarifas mais altas. |
| Franquia de dados por diária |
Verificar quantos MB/GB a diária inclui e o que acontece quando a franquia acaba: corte automático, tarifa por MB excedente ou velocidade reduzida (throttling). |
| Tarifa de chamadas recebidas |
Verificar se o pacote inclui chamadas recebidas ou se elas são cobradas adicionalmente. Alguns pacotes incluem chamadas recebidas ilimitadas; outros cobram por minuto mesmo com pacote ativo. |
| Cobrança em dias sem uso |
Alguns pacotes cobram a diária apenas nos dias em que o chip é usado no exterior (diária sob demanda). Outros cobram por todo o período de ativação. Para fins de semana ou dias de folga na viagem, isso faz diferença. |
| Teto de gasto mensal |
Verificar se a operadora oferece teto de gasto de roaming por linha. Quando atingido, o roaming é bloqueado automaticamente, eliminando o risco de fatura surpresa acima do aprovado. |
| Prazo de ativacao |
Verificar com quanto de antecedência o pacote precisa ser ativado antes da viagem. A maioria requer ativação antes do embarque; alguns permitem ativação retroativa com penalidade. |
eSIM internacional: a opção que une custo baixo e número brasileiro
O eSIM internacional é a evolução mais relevante para gestão de roaming corporativo dos últimos anos. Permite que o colaborador tenha dois perfis de operadora ativos no mesmo celular simultaneamente: o chip brasileiro para voz e SMS, e um plano de dados internacional barato para navegar no destino.
Como funciona na práticaO colaborador compra um plano de dados de uma operadora eSIM internacional (Airalo, Holafly, Maya, aloSIM, entre outras) antes de embarcar. Recebe um QR Code que instala o perfil eSIM no celular. No destino, usa os dados do eSIM para internet, e mantém o chip brasileiro ativo apenas para receber ligações e SMS no número corporativo.
Custo comparativoUm plano de dados de 10 GB para 30 dias em países europeus via eSIM custa entre USD 15 e USD 25. O equivalente em pacote de roaming de operadora brasileira (diária de R$ 50 por 10 dias de viagem) sai por R$ 500. Economia de 70% a 80% apenas no custo de dados.
Atenção para ligacoes recebidasCom o eSIM ativo para dados e o chip brasileiro ativo para voz, ligações recebidas no número brasileiro ainda passam pelo chip nacional em roaming. Para evitar custo de roaming de voz, o colaborador deve desviar as ligações do número brasileiro para o Teams ou WhatsApp antes de embarcar, e notificar os contatos para usar esses canais durante a viagem.
Compatibilidade com MDMO artigo sobre eSIM corporativo já existente no blog detalha as implicações de gestão de eSIM via MDM. Para roaming com eSIM, a política corporativa precisa definir se o colaborador pode instalar eSIMs de terceiros no dispositivo gerenciado ou se a empresa provê o plano eSIM.
Quando usar chip local do destino
O chip local comprado no aeroporto de chegada ainda é a opção mais barata em termos de custo por MB, mas tem trade-offs que precisam estar claros na política corporativa:
Faz sentido quando
Viagem acima de 2 semanas no mesmo país
Destino com pacote de roaming muito caro (alguns países asiáticos e africanos)
Colaborador nao precisa receber ligacoes no número brasileiro durante a viagem
Celular nao suporta eSIM
Nao faz sentido quando
Colaborador precisa estar acessível no número corporativo durante a viagem
Viagem curta (menos de 5 dias): overhead de gestão nao compensa
Múltiplos países em uma única viagem (precisaria de vários chips)
Celular gerenciado por MDM com politica de chips externos bloqueada
Como montar uma política de roaming corporativo
A política de roaming é o documento que define o que o colaborador deve fazer antes, durante e depois de uma viagem internacional com o celular corporativo. Sem ela, cada colaborador toma sua própria decisão, geralmente a mais cara.
Elementos de uma política de roaming corporativo
1.
Notificacao prévia obrigatória: o colaborador deve acionar o TI com pelo menos X dias de antecedência antes de qualquer viagem internacional com o celular corporativo.
2.
Matriz de decisão por destino e duração: definir qual opção usar para cada combinação de destino e duração de viagem. Exemplos: EUA até 5 dias = pacote de roaming da operadora; EUA acima de 5 dias = eSIM; América do Sul qualquer duração = eSIM ou chip local.
3.
Teto de gasto aprovado sem autorização prévia: valor máximo de custo de roaming por viagem que o colaborador pode gerar sem aprovação adicional. Acima do teto, acionar o gestor.
4.
Configuracoes obrigatórias antes de embarcar: desativar roaming de dados automático, ativar o pacote contratado, desviar ligacoes para Teams/WhatsApp se o modelo for eSIM ou chip local.
5.
Procedimento pós-viagem: desativar pacote de roaming ao retornar ao Brasil, reportar ao TI para conciliação da fatura.
6.
Consequência de nao seguir a política: custo de roaming gerado fora da política pode ser descontado do colaborador ou registrado como infração de política de uso de recursos.
Como o TEM controla o gasto de roaming na fatura
O roaming é um dos itens mais difíceis de controlar numa fatura de telecom sem gestão estruturada. Com TEM (Telecom Expense Management), o controle é automático:
Identificacao automática de gastos de roaming na faturaA auditoria de fatura do TEM identifica e separa automaticamente os lançamentos de roaming de cada linha, por destino e tipo (voz, dados, SMS). O gestor vê exatamente qual linha gastou quanto, em qual país e em qual período, sem precisar ler a fatura analítica manualmente.
Alerta de teto de gasto por linhaO TEM pode ser configurado para disparar alertas quando o gasto de roaming de uma linha atinge um percentual do teto definido na política. O TI recebe o alerta antes de a fatura fechar, podendo acionar o bloqueio de roaming da linha pelo canal corporativo da operadora.
Conciliação de viagens x faturasCruzar os registros de viagem (datas, destinos) com os lançamentos de roaming na fatura permite identificar roaming gerado fora de viagens autorizadas ou roaming em dias que o colaborador já havia retornado ao Brasil: ambos são indícios de cobranças indevidas que devem ser contestadas.
Checklist pré-viagem internacional para o colaborador e o TI
Colaborador (até 3 dias antes)
☐Notificar o TI sobre a viagem: destino, datas de ida e volta
☐Confirmar com o TI qual opção de roaming será usada
☐Se eSIM: instalar o perfil antes de embarcar
☐Configurar desvio de ligacoes para Teams/WhatsApp se necessário
☐Notificar contatos sobre o canal de comunicacao durante a viagem
☐Desativar sync automático de fotos e backup em dados móveis
☐Ativar pacote de roaming pela operadora (canal corporativo)
☐Confirmar cobertura da operadora no(s) país(es) de destino
☐Configurar teto de gasto de roaming para a linha no portal da operadora
☐Registrar a viagem no sistema de gestão de telecom para conciliação posterior
☐Desativar pacote ao retorno confirmado do colaborador
Fale com a Mobit
Sua empresa tem colaboradores viajando e faturas de roaming sem controle?
A Mobit estrutura a política de roaming corporativo, negocia pacotes internacionais pelo canal corporativo das operadoras e monitora o gasto de roaming na auditoria mensal de fatura. Fale com um especialista.
Falar com especialista em gestão de telecom
Sem compromisso. Diagnóstico inicial gratuito.
Perguntas frequentes sobre roaming internacional corporativo
Ligacao recebida no exterior é cobrada mesmo sem atender? ▼
Sim. No roaming internacional, a tarifa de chamada recebida é cobrada do número que está no exterior, mesmo que a chamada nao seja atendida. O custo é gerado pelo encaminhamento da chamada até o destino internacional. A única forma de evitar essa cobrança é desviar as chamadas do número brasileiro para um app de VoIP (Teams, WhatsApp) antes de embarcar, para que as chamadas cheguem via internet e nao via sinal de celular.
Qual a diferença entre roaming e eSIM internacional? ▼
Roaming é o uso do chip brasileiro em outro país, com tarifas cobradas pela operadora brasileira. eSIM internacional é um perfil virtual de uma operadora estrangeira instalado no celular sem trocar o chip físico, com tarifas cobradas diretamente pela operadora eSIM a preços locais do destino. O eSIM geralmente é muito mais barato para dados, mas nao substitui o chip brasileiro para receber ligacoes e SMS no número corporativo. A estratégia ideal para a maioria das viagens de negócios é usar o eSIM para dados e manter o chip brasileiro ativo apenas para voz, com desvio de chamadas configurado para o Teams.
Como bloquear o roaming automaticamente quando o gasto atinge o teto? ▼
As operadoras brasileiras oferecem essa funcionalidade pelo canal corporativo: é possível configurar um teto de gasto de roaming por linha ou por contrato. Quando o gasto atinge o valor definido no ciclo de faturamento, o roaming é bloqueado automaticamente. Para empresas sem acesso ao canal corporativo, a alternativa é a gestão via TEM, que monitora o consumo em tempo real e dispara alertas antes de o teto ser atingido para que o TI bloqueie manualmente pelo portal da operadora.
WhatsApp no exterior gera custo de roaming? ▼
Sim, se o celular estiver usando dados do chip em roaming. O WhatsApp usa internet como qualquer outro app. Se o chip está ativo em roaming e sem pacote de dados contratado, cada MB do WhatsApp é cobrado a tarifa avulsa de roaming. Com pacote de roaming ativo, o WhatsApp consome da franquia incluída. Com eSIM para dados, o WhatsApp usa o eSIM e nao gera custo de roaming no chip brasileiro. Com Wi-Fi, nao gera custo nenhum.
É possível ter um plano de roaming corporativo negociado para toda a empresa? ▼
Sim. Operadoras brasileiras oferecem planos de roaming corporativo com condições negociadas para empresas com volume expressivo de viagens internacionais. Esses planos podem incluir: diárias mais baratas, franquias de dados maiores, tarifas reduzidas para chamadas internacionais e bloqueios automáticos configuráveis. O acesso a esse tipo de negociação é feito pelo canal corporativo dedicado da operadora, o que reforça a importância de ter acesso a esse canal, não ao atendimento geral ao cliente.
Deixe um comentário